Segunda-feira, Maio 19, 2008
cólera em tempos de amor
o ponto da citação
estou começando a perder
o medo que tenho das pessoas
já pego na mão
da minha namorada
Sexta-feira, Maio 16, 2008
brasil - a música nunca se acaba
hamilton de holanda quarteto (que tive o prazer de ver no festival de músicas de mundo, em sines e só agora reencontrei).
Terça-feira, Maio 13, 2008
Segunda-feira, Maio 12, 2008
carta
o boletim meteorológico, a nuvem cinzenta, que fazer, amigo? a tenaz a roer as entranhas, como dar um soco no próprio estômago?
eukanuba! apetece-me gritar: eukanuba!
este abraço a tirar o pé do chão,
o bailarino manco.
Sexta-feira, Maio 09, 2008
Terça-feira, Maio 06, 2008
coisas da esfera
Miguel diz:
n gosto muito que as pessoas com quem me dou leiam o blogue
Susana diz:
desculpa...mas ía acabar por dizer-te...
Miguel diz:
porque o blogue n é literatura, é uma cena mais de efeitos e disparates avulsos
Susana diz:
sim...
Miguel diz:
e depois já me deixaram de falar por causa de certas merdas porque n perceberam a intenção (ou a falta dela)... é um bocado chato
(...)
Miguel diz:
depois perde-se espaço de manobra pra escrever... raramente escrevo verdades no blogue, mas agora, se aproveitar uma merda qualquer que tenha a ver vagamente contigo ou assim, chateias-te comigo, vais-me às trombas
Miguel diz:
fazes trinta por uma linha
páginas diarísticas
nada pior nestas circunstâncias que um homem se apaixonar. vá, concedo: ser atropelado por um camião. e mesmo aí tenho as minhas dúvidas.
para quando?
deus é brasileiro
das minhas manias
com saudade muita
amor & economia
o ponto da citação
choque de gerações
cepticismo
Segunda-feira, Maio 05, 2008
barca dos livros
- quantos posso requisitar?
- dois.
- levo este e este.
- os de arte não pode levar para casa.
- e para o banheiro?
Sábado, Maio 03, 2008
notas íntimas e de auto-confusão
isso, minha querida, são três coisas que, para serem boas, têm que ser muito bem feitas.
ponto final
ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada…
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio…
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo…
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
relações pós-modernas
ainda vamos terminar juntos, um fora de prazo, outro de pantufas: um rondando escolas primárias, outro invadindo lares de idosos.
relações e estética
enquanto for um sinal e não uma verruga
será amor
no final não desejarei que seja outra coisa:
um fulminante tumor.
Quinta-feira, Maio 01, 2008
carta do exílio
minha terra tem palmares[1]
e demasiados políticos no poleiro
cantando como sabiás –
e eu farto de seus cantares
e da gente que caminha de olhos no chão
e deixa escorrer o tempo em esquinas
esperando dom sebastião
farto das falcatruas, do diz que disse, da desrazão
e de que sigamos pensando que somos grandes
e temos o mundo na palma da mão
ó meu rectângulo empedrado à beira-mar plantado[2],
serás tu um país ou uma missão?
portugal, às vezes apetece-me beijar-te na boca[3]
minha língua roçar na tua raça
mas tu não tens braços a medir
para o meu corpo que cresceu
apetece-me segredar-te baixinho, sussurrar-te – vem
venho amar-te, ficar contigo[4]
mas quando te falo ao ouvido
só me ocorrem palavras sujas
...............................................................e gastas como
as pedras das esquinas
das esperas inúteis[5]
os nossos rostos pardos
os relógios parados
...............................................................portugal,
há um atlântico oceano a separar-nos
e por vezes vejo tua sombra insinuar-se
e por vezes sinto o teu cheiro assomar-se
..............não-sei-se-é-a-tua-boca-proferindo-falsas-promessas-se/
..............é-pelo-facto-de-aqui-não-haver-saneamento-básico-mas
ainda assim noto mais asseio
quando me tentam enganar
e aquela nativa que me tem cativo[6]
não me quer deixar voltar
será desta que o marinheiro
nunca mais se faz ao mar[7]?
não insistas: sabes bem que não regresso,
mesmo que aqui não fixe meu endereço:
que esta carta fora do baralho
a voltar é pra morrer;
ressabiado, não queiras disso tirar prazer –
se volto é apenas para te dar trabalho.
¡QUE VIVA ESPAÑA![8]
[1] S.m., palmeiral; v. tr., empalmar, furtar.
[2] Cf. Tomás Ribeiro: Jardim da Europa à beira-mar plantado/ de loiros e de acácias olorosas...
[3] Cf. Jorge de Sousa Braga, “Portugal”, O poeta nu.
[4] Cf. Nuno de Castro (impossível conferir, pois à data ainda não foi publicado).
[5] Cf. Eugénio de Andrade, “Adeus”, Os amantes sem dinheiro.
[6] Cf. Luís de Camões, “Endechas a Bárbara escrava”.
[7] Cf. Reinaldo Ferreira, “Menina dos olhos tristes”.
[8] Manolo Escobar, “Que viva Espana”.
* cf: canção do exílio, gonçalves dias; canção do exílio (meu lar), casimiro de abreu; carta de regresso à pátria, oswald de andrade; canção do exílio, murilo mendes; uma canção, mário quintana; nova canção do exílio, carlos drummond de andrade; "em cismar sozinho, ao relento...", eduardo alves da costa; sabiá, ant. carlos jobim e chico buarque; canção do exílio facilitada, josé paulo paes.
Terça-feira, Abril 29, 2008
ele há coisas
Segunda-feira, Abril 28, 2008
depois chamam os urubus
E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
depois chamam os urubus
Sexta-feira, Abril 25, 2008
sobre o acordo ortográfico
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
e do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Quarta-feira, Abril 23, 2008
valadares conta e acrescenta um ponto
tinha tanta graça que, na cama, diziam, era de parti-la a rir.
