quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
san pedro de atacama
deixo um apanhado breve, rápido, da minha passagem pelo deserto de san pedro de atacama, no norte do chile. com tempo, junto uma palavra e umas fotos para partilhar convosco essa aventura. fica para mais logo, que esta semana vai ser corrida. depois vem o rio, e o carnaval carioca. tire o pé do chão. e o corpo de misérias. salve!
quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
email para s.
afazeres: comprar a estante, ver um computador, preguiça, pegar piauís por ler, recuperar novidades do mundo editorial, etcéteras, pouca vontade de escrever - este egoísmo, pá!, que é sobretudo saber-se que não se diz nada de jeito, nada do que se quer, nada do jeito que se quer,
mas hão-de vir fotos e algum textículo, fotos que não cabem no disco atafulhado do portátil, na ausência do computador de secretária, há-de vir, mais uma despesa-esa-esa,
apetecia-me era sentar com os amigos e partilhar umas de tinto, uma de pisco
- o vinho chileno é divino -
picar, traçar, um petisco (uma boquinha)
boca doce é bom é, o bom petisco e o maná paté
e lá se vai, remando, ruminando, email praqui email prali,
um conto, uma piauí
o 2666 do bolaño a mirar da estante - fíjate, cabrón, son más de 1000 páginas
e a preguiça? e o querer estar quieto, debruçado na cama? e a cerveja, a cachaça, o vinho que veio, o licor que ficou?
ah, querer tudo e nada
e a alma sem fala ainda chile, cachay?
o deserto, a cidade, a boêmia
as vontades de palmilhar mundo, de ser cigano, e as vontades de ter uma base, assentar arraiais,
o sim e o não, e o sopas - açordas? ou migas?
e fazer contas às contas, as contas do colar da vida e a conta do banco, e burocracias, ser cidadão
é uma burocracia do caralho, ter uma empresa é uma burocracia sem expressão,
deixa andar, deixa andar, venha a multa que eu gostava era de um processo-crime, acho que dá um estilaço
não sei quando irei a portugal, gostava de que fosse no final do ano, não sei se vai ser possível,
pode até ser possível ir antes, o pai não anda a fechar bem a gaveta, é a cabeça, está a ficar tonto, diz a mãe,
a ver vamos se volto à pátria para o nascimento do filho do pai nosso ou para o falecimento do pai do filho eu,
e la nave va, nós por cá,
calor húmido que me faz soar em cascata, mas céu azul mais raro que em londres,
pensar em concreto (em concreto e em cimento, as duas acepções, e aqui
concreto é cimento e cimento não existe)
a exequibilidade do casinhoto beira-mar (mais burocracias, ânsias - mas alegrias)
e vou ali encher o copo e vai-se-me acabar a cerveja, 'cê veja s'isto se leva d'ânimo leve
eu com esta sede oceânica, atlântica, nada pacífica,
estou a gostar tanto deste texto (ai, gostas, gostas) que ainda o posto lá no tasco, inteiro, não às postas
começou a chover, passa pouco das vintiuma
e o calor não passa, habituei-me à chuva, gosto do som, como não vou a lado nenhum em particular
sem nenhuma obrigação em particular não me incomoda muito
haja chuva, para as couves medrarem e limpar a cidade da merda possível, a merda impassível
e tu, dançarina contemporânea, domadora de gatos?
terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
este silêncio, pá
este silêncio. a cabeça em tanto lugar, tanto poiso, toda beija-flor. ainda embriagado com o chile. tanta coisa boa, tanta coisa a chamar, tanto caminho por onde ir, que venho eu aqui dizer? este silêncio, pá.
volto para postar umas fotos catitas, um dia destes, quando chegar o computador novo, ano novo é assim, o chaço não tão velho pirou, as máquinas andam cheias de má vontade para com o homem, caprichos de novo rei.
volto para postar umas fotos catitas, um dia destes, quando chegar o computador novo, ano novo é assim, o chaço não tão velho pirou, as máquinas andam cheias de má vontade para com o homem, caprichos de novo rei.
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
sábado, 12 de Dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
sampa nota 2
são paulo é uma cidade em constante hora de ponta (ou pico). o carro não anda, o autocarro menos (ônibus, gente), o metro (metrô, pô) é mais papista qu'o papa ao fazer jus à imagem da sardinha enlatada (luxo ser sardinha, porque já se sabe que banho toma-se domingo se houver água canalizada (encanada) e a pé é um sarilho (uma merda, entendeu?). em que os passeios (as calçadas, mas fique sabendo que calçadas são outra coisa, isso daí dever-se-ia chamar descalçadas) são da ordem do improvável e do improviso. mas tendo helicóptero é uma cidade do caralho. com tempo, o tempo que demora a ler toda meia dúzia de contos do rubem fonseca, um gajo (um cara, meu chapa) consegue ler a lista de todos os filmes, teatros, shows, exposições que há (tem, bruto) diariamente na cidade. e de helicóptero a gente quase chega lá. se não tiver ido ao rio beber uma cerveja (ou tomar, abre lá essa merda).
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
domingo, 22 de Novembro de 2009
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
ontem menti na idade sem querer. dei um a menos. já foi o tempo em que, querendo, dava um a mais. dava uma a mais. dava uma a mais uma. dava. já foi o tempo em que dava. um pra caixa. há muito tempo que sou pouco.
domingo, 15 de Novembro de 2009
esse queiroz
há que fazer um esforço grande para não lembrar que no currículo do professor há várias conquistas: com miúdos. ou como adjunto.
sábado, 14 de Novembro de 2009
"Estamos a construir uma força e uma união que vão ser um caso sério", disse Bettencourt, acrescentando que o Sporting "tem uma visão, um projeto e está galvanizado".
já só falta a cagança. e um treinador.
nota solta
se me convidassem para treinar o sborten eu também não aceitaria: um gajo correr o risco de ter o sá pinto a querer malhar-lhe no lombo não dá tranquilidade a ninguém.
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
da delicadeza
gosto da extremada delicadeza do português que, em não havendo cinzeiro, apaga o cigarro dentro da chávena de café.
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
eleições - pt - 2009 II
é tamanho o descaso popular pela eleição atual que só existe uma forma de fazer o povo voltar a se interessar: dar vinte anos de cadeia pro candidato mais votado.
millôr
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
eleições - pt - 2009
comentário-citação:
candidato reconhecidamente salafrário, grosseiro, corrupto e semi-analfabeto. o adversário só ganhou as eleições porque era pior.
candidato reconhecidamente salafrário, grosseiro, corrupto e semi-analfabeto. o adversário só ganhou as eleições porque era pior.
millôr fernandes
domingo, 11 de Outubro de 2009
o gajo era um bocado infantil. enquanto os outros já andavam no indie porn, ele ainda não tinha saído do child porn.
obama aqui a ver s'eu deixo
obscuras razões. é a única explicação que eu tenho para o facto de ainda não me ter sido atribuído o nobel da paz.
sábado, 10 de Outubro de 2009
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
domingo, 4 de Outubro de 2009
sobre falcao, n'o jogo
"(...) tratou-se de uma baixa muito importante porque estava a passar por um momento bárbaro e custou-nos muito jogar sem ele", contou.
a/c do tradutor: bárbaro és tu, ó filho da puta.
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
eu só quero que tu queiras
dar-me
quero que queiras dar-te
que te me queiras dar
a mim.
estou ansioso por me dar
dar-me
dar-me a ti
mas exijo que te dês
que te me dês
a mim.
dar-me
quero que queiras dar-te
que te me queiras dar
a mim.
estou ansioso por me dar
dar-me
dar-me a ti
mas exijo que te dês
que te me dês
a mim.
pátria
construo com glória e entusiasmo a minha pátria – quatro paredes caiadas, umas quantas janelas cerradas, uma porta blindada e trancada. fora deste forte uma bandeira rota feita por mim, bandeira essa que me nomeia. dentro deste forte alguém que a bandeira não revela, alguém que se esconde na verdade do que fala. alguém que está só.
sábado, 26 de Setembro de 2009
oi
tenho o cigarro a meio, o último de hoje, mas deve dar para um post, um post curto, como os dias. se der enter, já está. se backspace, já foi. na verdade, é só um oi.
que já foi, que já foi, que já foi.
que já foi, que já foi, que já foi.
sábado, 19 de Setembro de 2009
estimados clientes
o tasco parece algo abandonado, eu sei. um projecto anda a arrebatar-me as horas - dele vos falarei mais adiante. por agora, dizer que estou aqui, ainda que sem stock, com as garrafas de pinga vazias.
está a fermentar. que a seguir seja pra rebentar. fazer a festa, a festa, a festa. tão bom. a sesta, a sesta. também.
está a fermentar. que a seguir seja pra rebentar. fazer a festa, a festa, a festa. tão bom. a sesta, a sesta. também.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
sábado, 29 de Agosto de 2009
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
da polícia federal, sc - ser estrangeiro
a moça da recepção só fala uma língua, a sua, e há sempre muito ruído, por causa dos estrangeiros que não falam a língua dela, é que a táctica da guria é falar mais alto, a ver se percebem, os gringos, são brutos como tudo.
eu, vá lá, falo mais ou menos a língua. mas com serviços destes também não há muita conversa.
depois de pedida a permanência por cônjuge, é necessário aguardar visita dos agentes da polícia federal. a gente aguarda. no meu caso, foi dez meses. e, quando os malandros aqui vieram, eu não estava cá. vou lá para saber o como é, o e agora. agora tenho que aguardar nova visita. e se demorar dez meses? e se eu tiver saído para comprar o jornal? tem que aguardar nova visita. e se? então deixa de ser casa, passa a prisão. ela encolhe os ombros e estiraça a beiça, berrando depois para o moço alemão que chegou para fazer intercâmbio.
contava geberit
dei acordo de mim estava de quatro, a perna alçada de encontro ao sofá, contava geberit.
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
disse geberit
estou com uma centelha divina que não vos digo nada, disse geberit ao descer a escada. e depois calou-se.
sábado, 15 de Agosto de 2009
segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
as aventuras de geberit, o cepticínico, e liliputa, a anã gostosa
ainda que ela sempre tenha dito que, nos termos do prazer, no dar e receber, era uma gigante. ela dizia giganta, e não sou eu quem vai escrever doutra forma. uma giganta das arte e orifícios. lembrar de aplicar o hedonismo ao quotidiano, lia-se na tela do pc, em jeito e forma de post-it. conheceram-se quando se mudou para o apartamento ao lado de geberit: madame lili, muito prazer. geberit, bem vinda. olhou-a, contrariando o seu hábito, de baixo a baixo, o chapéu de plumas, a blusa estampada com uma hera, a saia rodada com motivos orientais.
to be continued...
quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
quarta-feira, 15 de Julho de 2009
quem não trabuca manduca mais
não só de férias mas também. a passeios, mais que a banhos, que o tempo não tem estado para aí virado, só banhadas e umas banhas a mais a pedir workout aquando do check-out (look out!). lisboa está de se comer à dentada - pena, e vem-me a brincadeira fácil mostarda ao nariz - ter tantos portugueses. enfim, um país de malucos, fácil de ver nos rostos, nos pés, nos tiques e trejeitos. chega a meter medo.
entre tanto menear de anca e gastar a sola da havaiana na lusitana calçada, a escrita encontra-se minguada. mas a uma mini ou média não digo que não. a um verde, a um branco, a um tinto também não. assim que me vem uma ideia à cabeça, peço logo um pires de caracóis. essa amêijoa está a sair ou não?
entre tanto menear de anca e gastar a sola da havaiana na lusitana calçada, a escrita encontra-se minguada. mas a uma mini ou média não digo que não. a um verde, a um branco, a um tinto também não. assim que me vem uma ideia à cabeça, peço logo um pires de caracóis. essa amêijoa está a sair ou não?
segunda-feira, 29 de Junho de 2009
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
quarta-feira, 24 de Junho de 2009
quem faz um filho
dizia a gorda barbada sorvendo o caracol, abocanhando a imperial com groselha, com a recém-nascida de um lado e a outra, ainda criança mas já com peso de elefante no outro, já um pote, e dizia a gorda barbada sorvendo o caracol, com a recém-nascida ao lado: antes um filho que uma doença má.
passeios e asseios públicos
passeando sem pressa nem rumo por cacilhas, paro para ler as gordas dos jornais quando, de súbito, o olho cai na playboy e na playboy uma ana malhoa que dizem "sexy, como nunca antes". mas querem estragar-me as férias em terra lusa, é isso?
terça-feira, 16 de Junho de 2009
segunda-feira, 15 de Junho de 2009
agora o que me apraz dizer é isto
| São Paulo (GRU) | Lisboa | 16 Jun, 17h10 | 17 Jun, 06h55 | Económica | 2 pieces |
sexta-feira, 5 de Junho de 2009

começa hoje. agora é partir a loiça toda.
a/c pessoal informatizado da favela e judeus: é grátis.
não chegamos num "cadillac 52" - já estamos aí.
a/c pessoal informatizado da favela e judeus: é grátis.
não chegamos num "cadillac 52" - já estamos aí.
domingo, 31 de Maio de 2009
teclado novo
detesto estes teclados novos onde o back space é apenas mais um quadradinho. na escrita, a grande vantagem do computador sobre a máquina de escrever está em este ser uma irrepreensível máquina de apagar.
quinta-feira, 28 de Maio de 2009
quarta-feira, 27 de Maio de 2009
terça-feira, 26 de Maio de 2009
domingo, 24 de Maio de 2009
aos domingos com o guru do meier
aids
doença imoral que ataca minorias sexuais pra que elas aprendam que isso não se faz, e deus castiga. dá também e machões para aprenderem a não ser preconceituosos, porque deus também castiga. deus castiga tudo.
millôr
sexta-feira, 22 de Maio de 2009
kid alfinete
à espera do dentista (continuamos na senda, pois então, que ainda só vou no dente provisório) pego numa isto é! antiga, cuja capa me chama a atenção. os riscos do sexo precoce - folheio-a curioso, já não vou a tempo, talvez por isso.
tenho para mim que os riscos são os do sexo tardio, mas deixai-os perorar. sobre tudo eles querem perorar. eles querem perorar, sobretudo. deixai-os.
ibirubá (rs): o menino a e a menina k, de tenra idade e tenras carnes, foram fazer malandrices pro quarto e o amigo filmou com o telemóvel. a coisa espalhou-se pela net, e deixou a pequena cidade em polvorosa. taí a reportagem. para os mais curiosos (chama-lhe nomes), aqui fica o link para o vídeo.
em referência à genitália do moço, alguém o apelidou de kid alfinete. depois é a velocidade das coisas. no orkut, a comunidade; o vídeo com esse nome. acho que não se sobrevive a um epíteto desses. tenho pra mim que esse kid alfinete nunca mais s'endireita.
tenho para mim que os riscos são os do sexo tardio, mas deixai-os perorar. sobre tudo eles querem perorar. eles querem perorar, sobretudo. deixai-os.
ibirubá (rs): o menino a e a menina k, de tenra idade e tenras carnes, foram fazer malandrices pro quarto e o amigo filmou com o telemóvel. a coisa espalhou-se pela net, e deixou a pequena cidade em polvorosa. taí a reportagem. para os mais curiosos (chama-lhe nomes), aqui fica o link para o vídeo.
em referência à genitália do moço, alguém o apelidou de kid alfinete. depois é a velocidade das coisas. no orkut, a comunidade; o vídeo com esse nome. acho que não se sobrevive a um epíteto desses. tenho pra mim que esse kid alfinete nunca mais s'endireita.
quarta-feira, 20 de Maio de 2009
olhó vídeo
do público. obviamente que não tem condições, mais não fora porque diz "tu nem sabes no que te metestes".
terça-feira, 19 de Maio de 2009
ruminações atlânticas
pois pá, pensei eu. se fizesse uma estatística dos meus pensamentos saberia que este é o que mais vezes me ocorre, um pois sílaba longa culminando num pá seco, bipolaridade que contém todo o mundo dentro e corta rente - à pazada - qualquer estrutura cognitiva que se predispusse a brotar.
pois, pá.
lembrei-me da coleguinha que dizia "eu tenho preguiça de pôr os acentos". se fosse hoje tinha-lhe espetado um soco no olho. tornei-me mais violento com o passar do tempo. lembrei-me dela não por socos nos olhos (que no bar aqui ao lado distribuem como o pingo doce distribui maçãs reinetas), mas porque escrevi a palavra sem acento e, quando olhei para ela, disse: não, pá, estou com preguiça, e ri-me sozinho, lembrei-me dela, a puta não punha acentos porque tinha preguiça, se fosse agora levava um soco no olho e um pontapé na boca. tornei-me mais violento com o passar do tempo.
pois, pá. mas eu não estava a falar disso. disso, não sei bem o quê. agora não lembro, mas vinha falar sobre qualquer outra coisa. não que eu saiba o que é esta, digo outra no sentido de... no sentido.
pois, pá. vou ali buscar uma cachacinha, talvez me lembre. dessoutra coisa, claro. não sei se me fiz entender. acontece-me bastante, nos últimos tempos. a mim, vejam bem, que não há só gaivotas em terra, não é isso: a mim que mesmo com toda a preguiça teimo em pôr os acentos nas palavras. e aquela filha-da-puta, eu se fosse hoje... nem sei que lhe fazia. tornei-me mais fanfarrão com o passar do tempo.
pois, pá.
depois eu até me lembrei do que ia dizer
fiquei a pensar quando ela disse: mas ele é só garganta, e depois pensei que ser só garganta é sempre muito diferente, por que não é o mesmo eu dizer da minha namorada: ela é só garganta, ou de um anão, por exemplo, com anão dizer isso é uma ofensa, é um problema, é uma chatice por que ele vai logo pôr-se em bicos de pés e a situação fica estranha, incómoda, sobretudo incómoda, cabrão do anão, só me faltava este agora, o caganito.
pois, pá.
lembrei-me da coleguinha que dizia "eu tenho preguiça de pôr os acentos". se fosse hoje tinha-lhe espetado um soco no olho. tornei-me mais violento com o passar do tempo. lembrei-me dela não por socos nos olhos (que no bar aqui ao lado distribuem como o pingo doce distribui maçãs reinetas), mas porque escrevi a palavra sem acento e, quando olhei para ela, disse: não, pá, estou com preguiça, e ri-me sozinho, lembrei-me dela, a puta não punha acentos porque tinha preguiça, se fosse agora levava um soco no olho e um pontapé na boca. tornei-me mais violento com o passar do tempo.
pois, pá. mas eu não estava a falar disso. disso, não sei bem o quê. agora não lembro, mas vinha falar sobre qualquer outra coisa. não que eu saiba o que é esta, digo outra no sentido de... no sentido.
pois, pá. vou ali buscar uma cachacinha, talvez me lembre. dessoutra coisa, claro. não sei se me fiz entender. acontece-me bastante, nos últimos tempos. a mim, vejam bem, que não há só gaivotas em terra, não é isso: a mim que mesmo com toda a preguiça teimo em pôr os acentos nas palavras. e aquela filha-da-puta, eu se fosse hoje... nem sei que lhe fazia. tornei-me mais fanfarrão com o passar do tempo.
pois, pá.
depois eu até me lembrei do que ia dizer
fiquei a pensar quando ela disse: mas ele é só garganta, e depois pensei que ser só garganta é sempre muito diferente, por que não é o mesmo eu dizer da minha namorada: ela é só garganta, ou de um anão, por exemplo, com anão dizer isso é uma ofensa, é um problema, é uma chatice por que ele vai logo pôr-se em bicos de pés e a situação fica estranha, incómoda, sobretudo incómoda, cabrão do anão, só me faltava este agora, o caganito.
domingo, 17 de Maio de 2009
sábado, 16 de Maio de 2009
a pedido de várias famílias e de dois calhaus à entrada do bloco c7, na avenida luís de camões, em miratejo
numa rua perto de si ou mesmo na sua
don azia - o regresso às ruas de lisboa
-e com uma sede-
-e com uma sede-
de 16 de junho a 5 de agosto
salvo erro
salvo erro
e até prova em contrário
quinta-feira, 14 de Maio de 2009
paradoxos
voltimeia oiço dizer que o país é um manadeiro de humor fácil. só não percebo é a porrada de gente sem graça nenhuma que abunda por aí.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
não esquecerei tão cedo aqueles joanetes
acabo de ser assediado por duas sessentonas no elevador. ainda estou em pânico, as mãos suando em bica.
a dúvida
- não é daqui, pois não?
- não, sou português.
- português? português de portugal?
- pois, acho que só há desses.
mas também eu começo a duvidar.
- não, sou português.
- português? português de portugal?
- pois, acho que só há desses.
mas também eu começo a duvidar.
terça-feira, 12 de Maio de 2009
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
bom dia
entrei no autocarro, único vivente naquela paragem, sonâmbulo, a carpir mágoas e afazeres, quando o motorista me dá um sonoro bom dia que me desarmou completamente.
domingo, 10 de Maio de 2009
sempre que fala a turba arma virumque cano
seguimos cantando o ilustre peido lusitano
que o pleito acende e o odor ao gesto muda
seguimos cantando o ilustre peido lusitano
que o pleito acende e o odor ao gesto muda
aos domingos com o guru do méier
afinidade
quando duas pessoas odeiam a mesma pessoa, têm a impressão de que se estimam.
quando duas pessoas odeiam a mesma pessoa, têm a impressão de que se estimam.
millôr
sexta-feira, 8 de Maio de 2009
e ultrapassar os limites?
há uns tempos atrás, se o leitor quisesse parecer literariamente culto, eu aconselhar-lhe-ia: diga que tal autor - um qualquer que esteja um pouquinho ausente do mainstream - testa os limites da linguagem, ou os limites do romance. mas de repente parece que toda a gente deu em testar os limites da linguagem ou os do romance. quero dizer, de repente há uma porradão de anos; que escreventes testam e lactantes dizem que vacas testam, mesmo que seja de forma latente. mas agora repetido ao expoente, não da loucura, mas da náusea, e tão verde, a náusea.
os limites da linguagem e os limites do romance vão tão longe quanto a nossa falta de verbo. ou de verve, sei lá. para qualquer pato de peito inchado (vulgo chester literato) hoje um gajo dá um peido e já está a testar os limites da linguagem. ou engana-se, como o meu avô*, a contar a história - e já está a testar os limites do romance.
*avô meramente ilustrativo. não incluido no pacote da veracidade.
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
terça-feira, 5 de Maio de 2009
"ai se fosse o meu"
chegou por trás, aprumado
e não foi de meias medidas:
nada de entrada por entrada
- foi entrada por saída.
e não foi de meias medidas:
nada de entrada por entrada
- foi entrada por saída.
maria cheia, ó cheia maria
maria cheia de raça
ficou sem graça
maria cheia do espírito santo
maria cheia
enchendo
às 8, às 11,às 13, às 17, às 20, às 23
maria cheia
maria enchendo
o bandulho
maria vai arrebentar pelas costuras.
ficou sem graça
maria cheia do espírito santo
maria cheia
enchendo
às 8, às 11,às 13, às 17, às 20, às 23
maria cheia
maria enchendo
o bandulho
maria vai arrebentar pelas costuras.
golden shower
pisei a cabeça do dragão
abri a braguilha, mijei-lhe
na boca antes que o cabrão
lançasse fogo, combustão
abri a braguilha, mijei-lhe
na boca antes que o cabrão
lançasse fogo, combustão
dois minutos
eu disse: cinco minutos para um poema
mas depois achei demais, eu arrumo isso
em dois ou três, eu disse
às vezes é isto:
dá-me para a fanfarronice.
mas depois achei demais, eu arrumo isso
em dois ou três, eu disse
às vezes é isto:
dá-me para a fanfarronice.
aristocracia falida
às vezes o decantar um vinho é um acto que ultrapassa o desespero de causa, porque um gajo sabe muito bem que mesmo que fique ali a respirar durante horas aquela merda não melhora.
segunda-feira, 4 de Maio de 2009
enologias
... mas já bebi vinhos piores que este - sobretudo quando estavam estragados.
singela homenagem ao tinto vô luiz, uva bordô, fabricado em 2008 e comprado sábado na feira do centro de florianópolis.
singela homenagem ao tinto vô luiz, uva bordô, fabricado em 2008 e comprado sábado na feira do centro de florianópolis.
domingo, 3 de Maio de 2009
se eu soubesse rabiscava
camões: desculpa lá, dinamene, não lavei a loiça do almoço porque estive a escrever o segundo canto dos lusíadas.
aos domingos com o guru do méier
está bem: deus é brasileiro. mas pra defender o brasil de tanta corrupção só colocando deus no gol.
millôr
sábado, 2 de Maio de 2009
meia tarde de sábado
por hoje chega de trabalho. não sou judeu, mas também não sou parvo.
venha essa caipira.
venha essa caipira.
porque hoje é sábado, amanhã domingo
às vezes dá uma vontade de botar faladura séria, erudita, tão erudita que me apetecia pôr-lhe um acento no u, acho que é o intestino cheio quem mais me ordena, mas vem-me este pudor de pudico, que é o que se arranja e a ver se o intestino não se desarranja, que é uma trabalheira, passei na feira aqui do centro de florianópolis, um sol já de inverno mas tão espesso que apetece moder, trincar, ferrar o dente numa dentada bíblica, passei e olhei e mandaram-me provar a linguiça fumada de blumenau, ao que eu obedeci prontamente e disse, grave, sonoro, canoro e belicoso - venha uma; e quero desse doce aí de framboesa que estes senhores estão a elogiar, e queijo, dê-me um troço de queijo, qual?, não sei, deixe-me provar, o colonial está borrachudo, deixe ver esse serrano, ótimo (oió, ó eu no desacordo ortográfico todo catita, esse que não interessa nem a um menino que se chamasse jasus), mas vou notando que os intelectos da blogosfera lusa têm o gene da dislexia, o que não deixa de ser tão de acordo com o povo nosso, alvíssaras à dislexia, por mim está muito bem, quando na verdade tudo isso já pouco me interessa, quando o que me apetece é a festa entre amigos, a cumplicidade, o carinho, e o deixarem-me sossegado, ele já disse que não gostam que lhe peguem na mão, por que insistem?
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
quinta-feira, 30 de Abril de 2009
a verdade mora ao lado ou a mais bela frase do dia
o problema é que o vírus é uma mistura de ave com porco.
dona bela, águas de moura,
anotado pelo meu amigo ginginha.
quarta-feira, 29 de Abril de 2009
murmurações
para o vício
existências singulares também se fazem disto:
parti um dente a comer muesli.
na embalagem dizia granola.
nunca devia ter deixado as farinhas lácteas.
meu rico nestum.
fui ao dentista, disse-lhe: quebrei o dente a tomar o pequeno-almoço; o que eu disse foi: quebrei o dente a tomar o café da manhã; mas juro que não estava comendo pedras (assim mesmo, todo gerúndio). um gajo sem dente dá-lhe para ficar amaneirado, que não é o mesmo que dizer "à maneira", se bem que às vezes sim, depende se for no miratejo, por exemplo, ou na nazaré - é style é.
ali na favela do morro da cruz também.
parece que o que sobra do dente não vai prestar para sustentar restauração. é um dos lá de trás, um bom amigo que moía picanha como ninguém. até porque estava desvitalizado, que é uma maneira assaz simpática de dizer: morto.
antes atrás que à frente, pensei eu, mas depois achei que a frase era dúbia, e é preciso ter cuidado com o dúbio, que é um tipo excitável. duvidoso. ou duvidável, diria amigo meu da mais fina estirpe. ainda hoje, aliás, falei com ele: apanhou-me a caminho do banho, ali no quadrado do gmail, quando vinha espreitar se recebera um mail esperado. convite: para imagem e voz.
foi a minha primeira vez. e, como tantas outras primeiras vezes em tantas coisas outras que envolvem o face a face, um gajo estranha-se, todo desfazado, consternado, constrangido e até confrangido.
eu fui ali ao priberam dar uma olhada naquelas duas últimas malandras, o constrangido e o confrangido, porque não estava certo do que cada uma significava, confundo-as sempre. e que vi lá?
palavra do dia
palavra do dia?
palavra do dia: vacuidade.
palavra do dia
vacuidade (u-i)
s. f.
1. Estado de vácuo.
2. Carácter do que é intelectualmente vazio.
3. Fig. u-i.
voltando ao dentista: parece que vou ter que fazer uma coroa. já? não pensei que fosse ser promovido tão depressa.
e lá falámos, e via-o ali na tela inteira, o amigo, uma cabeçorra na tela inteira, não pelo tamanho da cabeça, entenda-se, mas pela colocação da câmera, num close up levado às suas consequências mais extremas.
quais são as consequências mais extremas?
(- apanhei-te).
e até lhe disse: estás bonito, pá.
eu sempre defendi que quanto menos píxeis melhor.
às vezes sou torcido, como diz a minha mãe, fazendo um estranho gesto ao dobrar o indicador em riste.
com esta do dente é que eu não contava. mas se é para ter um dente de cerâmica, vou consultá-lo sobre a possibilidade de ser em porcelana da china. é o toque.
melhor é pôr um dente d'alho.
e depois, como era a minha primeira vez, e a propósito de virgindades, o amigo enviou-me isto de uma tal margarida menezes. fiquei com um ódio à moça - não um ódio escrito, mas um ódio com sua representação física, praticamente visceral; levantei-me, andei às voltas pela casa, tive que parar para um café e respirar fundo.
é dum gajo ir aos arames.
ou em arame enfarpelado.
:> sorriso em v.
vou treinando o sorriso em v, que não deixa ver o buraco.
o espaço desocupado na fileira.
sou o azia. tenho vinticinco anos. falta-me um dente.
boa noite.
mas depois vi isto, dica da revista que entretem a espera no consultório, mais uma para o clube das virgens, quase 48 anos, nunca foi beijada*. olha, que engraçado, parece a adília lopes.
mas em estrondoso.
a lágrima sambou no olho.
depois levantei-me e fui lavar a loiça, vamos lá rapazote que a vida não é isto.
* "mas isso não é propaganda!". que dignidade.
uma rua que passa disso
é a rua onde habita esse peso pesado da blogosfera (a chegar aos cem quilos assim que a crise passe) que dá pelo nome de irmão lúcia, e que agora coloca à venda a sua casa. para habitação ou museu. ide lá espreitar, no mínimo matais a curiosidade sobre a toca do bicho.
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