Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

quem não trabuca manduca mais

não só de férias mas também. a passeios, mais que a banhos, que o tempo não tem estado para aí virado, só banhadas e umas banhas a mais a pedir workout aquando do check-out (look out!). lisboa está de se comer à dentada - pena, e vem-me a brincadeira fácil mostarda ao nariz - ter tantos portugueses. enfim, um país de malucos, fácil de ver nos rostos, nos pés, nos tiques e trejeitos. chega a meter medo.

entre tanto menear de anca e gastar a sola da havaiana na lusitana calçada, a escrita encontra-se minguada. mas a uma mini ou média não digo que não. a um verde, a um branco, a um tinto também não. assim que me vem uma ideia à cabeça, peço logo um pires de caracóis. essa amêijoa está a sair ou não?

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

ora é

ora é porque é verão aqui, ora é porque é verão lá. isto é uma vida dedicada à silly season.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

festas de cacilhas

uma estranha forma de dança e
uma tremenda falta de dentes.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

quem faz um filho

dizia a gorda barbada sorvendo o caracol, abocanhando a imperial com groselha, com a recém-nascida de um lado e a outra, ainda criança mas já com peso de elefante no outro, já um pote, e dizia a gorda barbada sorvendo o caracol, com a recém-nascida ao lado: antes um filho que uma doença má.

passeios e asseios públicos

passeando sem pressa nem rumo por cacilhas, paro para ler as gordas dos jornais quando, de súbito, o olho cai na playboy e na playboy uma ana malhoa que dizem "sexy, como nunca antes". mas querem estragar-me as férias em terra lusa, é isso?

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

status

em trânsito.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

agora o que me apraz dizer é isto

TP0196 Flight operator

-

São Paulo

(GRU)

Lisboa

16 Jun, 17h10

17 Jun, 06h55

Económica

2 pieces

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009


começa hoje. agora é partir a loiça toda.

a/c pessoal informatizado da favela e judeus: é grátis.

não chegamos num "cadillac 52" - já estamos .


Domingo, 31 de Maio de 2009

teclado novo

detesto estes teclados novos onde o back space é apenas mais um quadradinho. na escrita, a grande vantagem do computador sobre a máquina de escrever está em este ser uma irrepreensível máquina de apagar.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

endeusamos demais

o histerismo também passa por aí.

palavras assim e assaz

galhardete.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

o site


Terça-feira, 26 de Maio de 2009


arrigo barnabé e banda sabor de veneno - clara crocodilo (1980)

- dodecafonias, atonalidades, bd e outas parvoíces boas -

Domingo, 24 de Maio de 2009

aos domingos com o guru do meier

aids

doença imoral que ataca minorias sexuais pra que elas aprendam que isso não se faz, e deus castiga. dá também e machões para aprenderem a não ser preconceituosos, porque deus também castiga. deus castiga tudo.

millôr

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

kid alfinete

à espera do dentista (continuamos na senda, pois então, que ainda só vou no dente provisório) pego numa isto é! antiga, cuja capa me chama a atenção. os riscos do sexo precoce - folheio-a curioso, já não vou a tempo, talvez por isso.

tenho para mim que os riscos são os do sexo tardio, mas deixai-os perorar. sobre tudo eles querem perorar. eles querem perorar, sobretudo. deixai-os.

ibirubá (rs): o menino a e a menina k, de tenra idade e tenras carnes, foram fazer malandrices pro quarto e o amigo filmou com o telemóvel. a coisa espalhou-se pela net, e deixou a pequena cidade em polvorosa. taí a reportagem. para os mais curiosos (chama-lhe nomes), aqui fica o link para o vídeo.

em referência à genitália do moço, alguém o apelidou de kid alfinete. depois é a velocidade das coisas. no orkut, a comunidade; o vídeo com esse nome. acho que não se sobrevive a um epíteto desses. tenho pra mim que esse kid alfinete nunca mais s'endireita.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

a erva do rato abre a mostra de longas do fam2009



olhó vídeo

do público. obviamente que não tem condições, mais não fora porque diz "tu nem sabes no que te metestes".

mais tarde ou mais cedo tu voltas ao miratejo

© ginginha
ao fundo: pastelaria bambu, a confeitaria nacional do miratejo.

espera aí que já te escrevo.


Terça-feira, 19 de Maio de 2009

ruminações atlânticas

pois pá, pensei eu. se fizesse uma estatística dos meus pensamentos saberia que este é o que mais vezes me ocorre, um pois sílaba longa culminando num seco, bipolaridade que contém todo o mundo dentro e corta rente - à pazada - qualquer estrutura cognitiva que se predispusse a brotar.

pois, pá.

lembrei-me da coleguinha que dizia "eu tenho preguiça de pôr os acentos". se fosse hoje tinha-lhe espetado um soco no olho. tornei-me mais violento com o passar do tempo. lembrei-me dela não por socos nos olhos (que no bar aqui ao lado distribuem como o pingo doce distribui maçãs reinetas), mas porque escrevi a palavra sem acento e, quando olhei para ela, disse: não, pá, estou com preguiça, e ri-me sozinho, lembrei-me dela, a puta não punha acentos porque tinha preguiça, se fosse agora levava um soco no olho e um pontapé na boca. tornei-me mais violento com o passar do tempo.

pois, pá. mas eu não estava a falar disso. disso, não sei bem o quê. agora não lembro, mas vinha falar sobre qualquer outra coisa. não que eu saiba o que é esta, digo outra no sentido de... no sentido.

pois, pá. vou ali buscar uma cachacinha, talvez me lembre. dessoutra coisa, claro. não sei se me fiz entender. acontece-me bastante, nos últimos tempos. a mim, vejam bem, que não há só gaivotas em terra, não é isso: a mim que mesmo com toda a preguiça teimo em pôr os acentos nas palavras. e aquela filha-da-puta, eu se fosse hoje... nem sei que lhe fazia. tornei-me mais fanfarrão com o passar do tempo.

pois, pá.



depois eu até me lembrei do que ia dizer

fiquei a pensar quando ela disse: mas ele é só garganta, e depois pensei que ser só garganta é sempre muito diferente, por que não é o mesmo eu dizer da minha namorada: ela é só garganta, ou de um anão, por exemplo, com anão dizer isso é uma ofensa, é um problema, é uma chatice por que ele vai logo pôr-se em bicos de pés e a situação fica estranha, incómoda, sobretudo incómoda, cabrão do anão, só me faltava este agora, o caganito.

Domingo, 17 de Maio de 2009

aos domingos com o guru do méier

o melhor afrodisíaco ainda é a carência prolongada.

millôr

Sábado, 16 de Maio de 2009


a pedido de várias famílias e de dois calhaus à entrada do bloco c7, na avenida luís de camões, em miratejo

numa rua perto de si ou mesmo na sua

don azia - o regresso às ruas de lisboa

-e com uma sede-

de 16 de junho a 5 de agosto
salvo erro
e até prova em contrário

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

paradoxos

voltimeia oiço dizer que o país é um manadeiro de humor fácil. só não percebo é a porrada de gente sem graça nenhuma que abunda por aí.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

meditações na esquina

acho que se pode viver só de cachaça e paçoca.

não esquecerei tão cedo aqueles joanetes

acabo de ser assediado por duas sessentonas no elevador. ainda estou em pânico, as mãos suando em bica.

a dúvida

- não é daqui, pois não?
- não, sou português.
- português? português de portugal?
- pois, acho que só há desses.

mas também eu começo a duvidar.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

reivindicações

quero uma caixa 2 só para mim.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

bom dia

entrei no autocarro, único vivente naquela paragem, sonâmbulo, a carpir mágoas e afazeres, quando o motorista me dá um sonoro bom dia que me desarmou completamente.

Domingo, 10 de Maio de 2009

sempre que fala a turba arma virumque cano
seguimos cantando o ilustre peido lusitano
que o pleito acende e o odor ao gesto muda

aos domingos com o guru do méier

afinidade

quando duas pessoas odeiam a mesma pessoa, têm a impressão de que se estimam.

millôr

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

e ultrapassar os limites?

há uns tempos atrás, se o leitor quisesse parecer literariamente culto, eu aconselhar-lhe-ia: diga que tal autor - um qualquer que esteja um pouquinho ausente do mainstream - testa os limites da linguagem, ou os limites do romance. mas de repente parece que toda a gente deu em testar os limites da linguagem ou os do romance. quero dizer, de repente há uma porradão de anos; que escreventes testam e lactantes dizem que vacas testam, mesmo que seja de forma latente. mas agora repetido ao expoente, não da loucura, mas da náusea, e tão verde, a náusea.
os limites da linguagem e os limites do romance vão tão longe quanto a nossa falta de verbo. ou de verve, sei lá. para qualquer pato de peito inchado (vulgo chester literato) hoje um gajo dá um peido e já está a testar os limites da linguagem. ou engana-se, como o meu avô*, a contar a história - e já está a testar os limites do romance.
*avô meramente ilustrativo. não incluido no pacote da veracidade.

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

não quero ir pro céu

só quero twittar-te.

hoje acordei assim

com os braços longos demais para o meu corpo.

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

"ai se fosse o meu"

chegou por trás, aprumado
e não foi de meias medidas:
nada de entrada por entrada
- foi entrada por saída.

maria cheia, ó cheia maria

maria cheia de raça
ficou sem graça
maria cheia do espírito santo
maria cheia
enchendo
às 8, às 11,às 13, às 17, às 20, às 23
maria cheia
maria enchendo
o bandulho

maria vai arrebentar pelas costuras.

golden shower

pisei a cabeça do dragão
abri a braguilha, mijei-lhe
na boca antes que o cabrão
lançasse fogo, combustão

dois minutos

eu disse: cinco minutos para um poema
mas depois achei demais, eu arrumo isso
em dois ou três, eu disse

às vezes é isto:
dá-me para a fanfarronice.

aristocracia falida

às vezes o decantar um vinho é um acto que ultrapassa o desespero de causa, porque um gajo sabe muito bem que mesmo que fique ali a respirar durante horas aquela merda não melhora.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

enologias

... mas já bebi vinhos piores que este - sobretudo quando estavam estragados.

singela homenagem ao tinto vô luiz, uva bordô, fabricado em 2008 e comprado sábado na feira do centro de florianópolis.

Domingo, 3 de Maio de 2009

se eu soubesse rabiscava

camões: desculpa lá, dinamene, não lavei a loiça do almoço porque estive a escrever o segundo canto dos lusíadas.

aos domingos com o guru do méier

está bem: deus é brasileiro. mas pra defender o brasil de tanta corrupção só colocando deus no gol.

millôr

Sábado, 2 de Maio de 2009

meia tarde de sábado

por hoje chega de trabalho. não sou judeu, mas também não sou parvo.

venha essa caipira.

porque hoje é sábado, amanhã domingo

às vezes dá uma vontade de botar faladura séria, erudita, tão erudita que me apetecia pôr-lhe um acento no u, acho que é o intestino cheio quem mais me ordena, mas vem-me este pudor de pudico, que é o que se arranja e a ver se o intestino não se desarranja, que é uma trabalheira, passei na feira aqui do centro de florianópolis, um sol já de inverno mas tão espesso que apetece moder, trincar, ferrar o dente numa dentada bíblica, passei e olhei e mandaram-me provar a linguiça fumada de blumenau, ao que eu obedeci prontamente e disse, grave, sonoro, canoro e belicoso - venha uma; e quero desse doce aí de framboesa que estes senhores estão a elogiar, e queijo, dê-me um troço de queijo, qual?, não sei, deixe-me provar, o colonial está borrachudo, deixe ver esse serrano, ótimo (oió, ó eu no desacordo ortográfico todo catita, esse que não interessa nem a um menino que se chamasse jasus), mas vou notando que os intelectos da blogosfera lusa têm o gene da dislexia, o que não deixa de ser tão de acordo com o povo nosso, alvíssaras à dislexia, por mim está muito bem, quando na verdade tudo isso já pouco me interessa, quando o que me apetece é a festa entre amigos, a cumplicidade, o carinho, e o deixarem-me sossegado, ele já disse que não gostam que lhe peguem na mão, por que insistem?

polaroid

vinham descendo a praça xv, as mãos entrelaçadas, brokebackianamente felizes.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

R

sou mais da cachaça que do glamour, disse, e foi correndo para o autocarro.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

a verdade mora ao lado ou a mais bela frase do dia

o problema é que o vírus é uma mistura de ave com porco.
dona bela, águas de moura,
anotado pelo meu amigo ginginha.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

murmurações

para o vício

existências singulares também se fazem disto:

parti um dente a comer muesli.

na embalagem dizia granola.


nunca devia ter deixado as farinhas lácteas.

meu rico nestum.

fui ao dentista, disse-lhe: quebrei o dente a tomar o pequeno-almoço; o que eu disse foi: quebrei o dente a tomar o café da manhã; mas juro que não estava comendo pedras (assim mesmo, todo gerúndio). um gajo sem dente dá-lhe para ficar amaneirado, que não é o mesmo que dizer "à maneira", se bem que às vezes sim, depende se for no miratejo, por exemplo, ou na nazaré - é style é.

ali na favela do morro da cruz também.

parece que o que sobra do dente não vai prestar para sustentar restauração. é um dos lá de trás, um bom amigo que moía picanha como ninguém. até porque estava desvitalizado, que é uma maneira assaz simpática de dizer: morto.

antes atrás que à frente, pensei eu, mas depois achei que a frase era dúbia, e é preciso ter cuidado com o dúbio, que é um tipo excitável. duvidoso. ou duvidável, diria amigo meu da mais fina estirpe. ainda hoje, aliás, falei com ele: apanhou-me a caminho do banho, ali no quadrado do gmail, quando vinha espreitar se recebera um mail esperado. convite: para imagem e voz.

foi a minha primeira vez. e, como tantas outras primeiras vezes em tantas coisas outras que envolvem o face a face, um gajo estranha-se, todo desfazado, consternado, constrangido e até confrangido.

eu fui ali ao priberam dar uma olhada naquelas duas últimas malandras, o constrangido e o confrangido, porque não estava certo do que cada uma significava, confundo-as sempre. e que vi lá?

palavra do dia

palavra do dia?

palavra do dia: vacuidade.

palavra do dia

vacuidade (u-i)
(latim vacuitas, -atis)
s. f.
1. Estado de vácuo.
2. Carácter do que é intelectualmente vazio.
3. Fig. Falta de modéstia.


u-i.


voltando ao dentista: parece que vou ter que fazer uma coroa. já? não pensei que fosse ser promovido tão depressa.

e lá falámos, e via-o ali na tela inteira, o amigo, uma cabeçorra na tela inteira, não pelo tamanho da cabeça, entenda-se, mas pela colocação da câmera, num close up levado às suas consequências mais extremas.

quais são as consequências mais extremas?



(- apanhei-te).


e até lhe disse: estás bonito, pá.

eu sempre defendi que quanto menos píxeis melhor.

às vezes sou torcido, como diz a minha mãe, fazendo um estranho gesto ao dobrar o indicador em riste.


com esta do dente é que eu não contava. mas se é para ter um dente de cerâmica, vou consultá-lo sobre a possibilidade de ser em porcelana da china. é o toque.


melhor é pôr um dente d'alho.

e depois, como era a minha primeira vez, e a propósito de virgindades, o amigo enviou-me isto de uma tal margarida menezes. fiquei com um ódio à moça - não um ódio escrito, mas um ódio com sua representação física, praticamente visceral; levantei-me, andei às voltas pela casa, tive que parar para um café e respirar fundo.

é dum gajo ir aos arames.

ou em arame enfarpelado.




:> sorriso em v.

vou treinando o sorriso em v, que não deixa ver o buraco.


o espaço desocupado na fileira.



sou o azia. tenho vinticinco anos. falta-me um dente.

boa noite.


mas depois vi isto, dica da revista que entretem a espera no consultório, mais uma para o clube das virgens, quase 48 anos, nunca foi beijada*. olha, que engraçado, parece a adília lopes.

mas em estrondoso.

a lágrima sambou no olho.



depois levantei-me e fui lavar a loiça, vamos lá rapazote que a vida não é isto.


* "mas isso não é propaganda!". que dignidade.

uma rua que passa disso

é a rua onde habita esse peso pesado da blogosfera (a chegar aos cem quilos assim que a crise passe) que dá pelo nome de irmão lúcia, e que agora coloca à venda a sua casa. para habitação ou museu. ide lá espreitar, no mínimo matais a curiosidade sobre a toca do bicho.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

hoje acordei assim, todo bordaleiro


não falta muito para voltar a ferrar-te o dente, seu casa matias.

dass

fui para o centro e esqueci-me de levar dinheiro ou cartão. não pude passar no mercado, não comprei camarão. e agora, como faço esse bobó?

cont.

sombra

insistia que sombra era dele, só dele. é possível que seja só o que temos; e o tanto que as tememos.

Domingo, 26 de Abril de 2009

o ponto da citação e as bienais de arte

você é apresentado ao pintor transvanguarda e vê logo que ele é um pobre-diabo, semi-alfabetizado, sem qualquer informação sobre altas estéticas pictóricas, acredita sinceramente que galileu era marido de galiléia e nem sabe que a água tem memória. só um pergunta, aqui entre nós: pode-se ser transvanguarda numa coisa só e idiota em tudo o mais?

millôr

gata lá de casa

pergunto pela gata deles, a minha mãe responde: oh, está uma malandra tão esperta, entende tudo o que a gente diz. surpreender-me-ia que entendesse, não conhecesse eu os enunciados.

aos domingos

vamos petiscar pensamentos, preceitos, máximas, raciocínios, considerações, ponderações, devaneios, elucubrações, cismas, disparates, idéias, introspecções, tresvarios, obsessões, meditações, apotegmas, despropósitos, apodos, desvarios, descocos, cogitações, plácitos, ditos, sandices, especulações, conceitos, gnomas, motes, proposições, argumentos, filactérios, reflexões, escólios, conclusões, aforismos, absurdos, memórias, estultilóquios, alogias, despaupérios, aquelas, insultos, necedades, dislates, paradoxos, prótases, sofismas, singularidades, miopias, estultícias, silogismos, tergiversações, enormidades, paranóias, leviandades, imprudências, incoerências, desabafos, galimatias, heresias, hidrofobias, sofismas e dizidelas, da dialética do irritante guru do meyer. em havendo culpados, é falar com o senhor millôr e com este senhor aqui, mais a sua generosidade que um dia me fez chegar pelo correio uma bíblia do caos.

aos domingos com o guru do méier

aborígine é a maneira pejorativa dos conquistadores chamarem o dono da propriedade.

millôr

todolisonja

caríssima vistiante 75,090, saiba que muito me lisonjeou a sua pesquisa.

Sábado, 25 de Abril de 2009

oidessiso: quando o siso resolve dar um oi.

traz mais duas

repetia-se muitas vezes mais uma?, mais uma, anuia olhando-te o colo, a camisa de botões abertos, dizias: estava a gostar deste livro mas parei, não era o momento, é livro de inverno, eu tragava o cigarro com força, passava-te a mão pela pele da perna, apertava-te a carne musculada, sentia o poder da raça sob a palma, atiravas o cigarro para longe, recostavas-te na cadeira, olhar lúbrico, saía-te por tudo e por nada um foda-se, rias, dizias alto: um caralho muito grosso é mau de chupar, lembro-me de ter pensado deve querer mignon a gaja, mas depois voltei ao livro, ao teu de inverno, ainda o tenho por ler, mordi-te a sophia ao canto da orelha: terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo, tiras mais um cigarro, sopras uma ladainha quase imperceptível, se não seremos nunca os deuses capazes de os viver, ao menos no voo cego a nada a gente... coça a coceira, interrompo, peço traz mais duas que eu não me posso levantar, ela percebe mas insiste em olhar, quer a confirmação de um membro erecto a debater-se com a ganga das calças, o molde, de molde a, penso: está amoldeçoado, estão geladas, as cervejas, não resistes a apertar-me sobre as calças, vou fundo no cigarro, ficas tão querido entre o tesão e o constrangido, não sei se tem assim tanta graça, onde é que deixaste o carro?

o novo romance de chico buarque, o novo cd de caetano veloso e a entrevista do millôr, que nega ter uma obra - "é coisa de pedreiro".

Não trema em 2009
.
Dois pingüins dão adeus ao mais misterioso dos sinais diacríticos,
mas não sabem ainda onde pô-lo, ou pólo (Sul)
.
.
Dois pingüins graúdos da cultura nacional - representantes de uma cervejaria e de uma revista - conversam à beira de um iceberg.
"Onde fica o pólo Norte?", pergunta o primeiro.
O pingüim da revista contempla com tristeza o amigo. Sem se importar com os traços evidentes de bebida no bafo do colega, explica a ele que não há mais necessidade de diferenciar o substantivo "pólo" (aprazível paragem de veraneio de qualquer pingüim encalorado) da antiga preposição aglutinada polo (por+o), destronada por "pela", sem contar a combinação de pôr e lo, "polo" - como em: "Onde devo pô-lo, meu suéter pólo?"
"No fim do mês será tudo sem acento", esclarece.
"Qüem, qüem", balbucia o cervejeiro, o olhar perdido numa aurora austral.
"Não!", subleva-se a ave letrada. "Não: o correto agora é 'quém, quém'."
"Quem o quê?", indaga o bêbado.
Tomado pela sensação de dever para com sua espécie - uma das mais prejudicadas pelo novo acordo ortográfico -, o pingüim da revista pega o amigo pela asa e põe-se a explicar as mudanças pelas quais passou a língua portuguesa desde o início do século XX:
"Até 1911, você seria um penguím. Havia também uma porção de ípsilons e pê-agás na língua. Pois os portugueses resolveram botar ordem na casa. Só que o acordo de 1911 não foi adotado no Brasil, que seguiu falando um português antigo e pomposo."
O amigo o encara com o semblante de um pingüim que bateu a cara num iglu, se iglu houvesse no pólo - ou polo - Sul.
"No início da década de 40, acadêmicos portugueses e brasileiros resolveram unificar a língua e assinaram um acordo que colocaria, enfim, os pingos nos is das suas, deles, diferenças ortográficas. No entanto, por se tratar de acadêmicos, e ainda por cima lusos e brasílicos, o acordo não unificou nada.
"Mas nessa época eu ainda era um penguím?"
"De maneira alguma. O tratado de 1943 marcou a chegada do que é o sinal diacrítico mais importante da história, pelo menos no que diz respeito à nossa espécie: o trema."
Seu colega põe-se a chacoalhar a cauda, e depois o corpo inteiro. "Assim?", pergunta.
O pingüim da revista abre seu exemplar do Dicionário Houaiss, um tanto amassado pelo uso, e recita: "O trema é um sinal diacrítico, usado sobre a letra u, dos dígrafos gu e qu, nos vocábulos em que essa letra, seguida de e ou i, é pronunciada: agüentar, cagüira, eloqüente, qüinqüenérveo." "Parece-me uma coisa suspeita", diz o outro pingüim, finalmente despertando para a magnitude do problema. "Qüinqüenérveo?"
O sóbrio pingüim prossegue, satisfeito: "E a coisa não para por aí."
"Para por o que aonde?"
"Não! 'Para', do verbo parar, em oposição à preposição 'para'. O acento que diferenciava certas palavras também não existe mais, lamentavelmente."
O outro pranteia o fim do acento diferencial, em solidariedade.
Continua o pingüim da revista:
"E quem sai perdendo somos nós, os pingüins brasileiros. Portugal, talvez por não ter pingüins, aboliu o trema em 1946. Os esfeniscídeos nacionais tornaram-se os únicos a carregar o estandarte dessa tradição, que em certos países tem o mesmo estatuto de outros diacríticos mais badalados, como a cedilha e o til. Na Alemanha, não se anda duas quadras sem um trema. Na França, é possível andar duas quadras, mas não se sai do arrondissement sem um bom par de tremas, ou seja, quatro mimosas bolinhas
"Mas na Alemanha", retruca sorrateiramente o amigo da cevada, "o trema tem uma função diferente. Conhecido como Umlaut, ele pousa sobre as vogais a, oe upara indicar a mudança de som. A Gisele Bündchen, por exemplo, seria pronunciada "Bundchen" se não fosse o Umlaut.
O retruque deixa o pingüim sabichão sem palavras. Ambos imaginam um mundo sem pólo, sem trema e sem Gisele Bündchen.
"Mas e de quem foi essa idéia infeliz de abolir o trema?", pergunta, de súbito, o mais burrinho, que aos poucos atenta para o golpe que a nova regra assestará na auto-estima pingüinácea.
"Na verdade uma ideia, já que os ditongos abertos ei e oi também não levam mais acento. O fim do trema foi - arram! - uma epopeia. Em 1971, cortaram um bocado de acentos, os mais divertidos, na minha opinião. Imagina, aceitar gêlo sem chapeuzinho, foi difícil. Mas por motivos que nenhum pingüim jamais soube, o trema ficou."
O outro pingüim, cada vez mais apegado ao seu trema, imagina que perdê-lo será o equivalente, até pela semelhança, a perder seus testículos.
Imbuído de sentimentos solidários, a ave da revista (com ou sem trema, o pingüim segue sendo uma ave) improvisa um palanque de neve e proclama: "Nosso dever é assegurar uma transição civilizada dentro da categoria. Há uma legião de pingüins confusos por aí, à mercê de toda sorte de faux pas ortográficos. Embora se torne obrigatório apenas em 2013, ano que vem já está valendo, e em 2010 todos os livros de escola estarão despidos de tremas. Os portugueses têm até 2014."
"Eu vou segurar o meu trema até o último minuto", decidiu o cevador.
"Não seja um pingüim anacrônico. O ano praticamente acabou, o acordo ortográfico está aí. Que desejemos boas-vindas às novas palavras. Feiura, enjoo, paleozoico, micro-ondas. Vão chegando, a casa é sua."
"E Piauí?"
"O que tem?"
"Leva acento?"
"Passou raspando.
Piauí foi salva por uma exceção. Palavras com o i e o u finais e tônicos, precedidos de ditongo aberto, perderam os agudos. Mas só as paroxítonas. E Piauí, como você está careca de saber, é oxítona. Tuiuiú também se safou. Mas baiuca vai ter que se acostumar."
..
andré conti
revista piauí
dezembro.08

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

aos domingos com o guru do méier

hoje não é domingo.

millôr

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

almoço

estava a pensar que poderia ser um esparguete ao azeite e alho, tenho até ali um azeite temperado com manjericão, uma coisinha delicada, mais meia-dúzia de pinhões com o saboroso grana acabadinho de ralar por cima, pobre grana que está reduzido a um pedacito trágico, mas eis que o corpo diz que não, que quer uma coisa que não come há anos, quer esparguete com ketchup, pode até ser com o queijo ralado tipo parmesão abandonado no armário, ou mesmo sem, lá vou ao frigorífico ver se existe ketchup, olho a validade, está bom

fui a correr pôr a massa, que já estava a tampa da panela no seu sambinha; não tenho esparguete. terminou. este fim-de-semana não fizemos compras. só fusili, parafuso.

é a última porção de fusili. ontem queria café para oferecer às pessoas que vieram cá a casa, mas também não havia. há dois fins-de-semana que não vamos ao mercado.

só sobra arroz. há três fins-de-semana que não vamos ao mercado.

gourmandises & comilanças

A cabeça de peixe tem tudo. Da extremidade do corte à ponta do lábio os sabores evoluem, pedem ao cirurgião canibal (peixibal) que vá avançando, experimentando. E de olhos fechados sabemos onde estamos: na almofada carnuda do colarinho (nacos que abrem o caminho, como um troço de cidade antes da velocidade máxima, na viagem de comboio), depois junto à espinha, lombos em agulha transversais ao crânio; as bochechas em disco ou amígdalas que saltam deslizantes da sua cavidade com a graça que antecede a entrega. Depois, começam as gelatinas: a língua e o freio que a prende; as cartilagens em volta, lipoaspiração bucal. Pensar que tudo começou com uns nacos de peixe normal e já aqui vamos em sabores intrincados e untosos. Uma carcaça no meio da travessa, estátua de um respeitoso poder do homem sobre o bicho.
saborosa dica do azeite

carapodre - série bairro cool

estrela da margem sul

não papa groupies.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

feira

os produtos lá eram tão biológicos que vinham sempre com bicho.

Domingo, 19 de Abril de 2009

almeida garrett e o close up

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caíam dum lado e de outro da sua face gentil aqueles graciosos anéis; e o resto do cabelo, que era muito, ia entrançar-se e enrolar-se com a singela elegância abaixo da coroa de uma cabeça pequena, estreita e do mais perfeito modelo.
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as sobrancelhas, quase pretas, também, desenhavam-se numa longa curva de extrema pureza; as pestanas longas e assedadas faziam sombra na alvura da face.
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almeida garrett, viagens na minha terra, cap. xii

o ponto da citação

no meio destas dissertações académico-literárias vem o A. a descobrir que para tudo é preciso ter fé neste mundo. diz-se neste mundo, porque, quanto ao outro, já era sabido.
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almeida garrett, viagens na minha terra, cap. vi

post it

abastardamento

diz que agora os peixinhos-da-horta passaram a ser tempura de feijão verde.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

acordares

acordava e já estalava os dedos, toda ritmo e blusa; até à casa-de-banho era um menear de ancas que era um ver se te avias, um sobidesce pirueta, cabeça prum lado cabelo pro outro, ei!ei!ei!ié,ié,ié!

voltagem

fumou uma e ficou todo alternado.

pavio rabett puxa dos seus sacrossantos galões

lisboa não é uma cidade degradada, mas uma cidade iconoclasta.

exclamações!

tantos acessos e tão poucas acessibilidades.

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

"gramatismo"



preparados já para as maleitas do novo acordo ortográfico.
uma dica do seu andré

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

"picachus e o caralho"

o bom de viver em tempos como os de agora (hoje, vá) é que em todas as semanas surgem os maiores de qualquer coisa. agora são os micachu & the shapes. "heh", seguido de encolher de ombros.

o jetlegues

tu é que foste embora e eu é que fiquei com jet lag. faz favor de voltar, pá!

assuntos

e é isso, pá: o que é preciso é fazer uma releitura que tenha um diferencial.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

se ele quiser, que vos conte

veio e foi num ápice, o malandro, deixando-me a trincar o soube-me a tanto e o soube-me a pouco, do amigo sérgio godinho. já saudoso, deixei-me até apanhar numa corrente d'ar e trago o nariz meio pingante, o pinguço.
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domingo: celebrou-se a chegada com um belo bobó de camarão, a forrar o bucho e de comer à tripa-forra.

na segunda houve praia, primeiro a do matadeiro, onde os pescadores terminavam de matar as baleias, protegida por um morro coberto da exuberante mata atlântica; ventinho e água fria, que era de manhã cedo, fez-se a praia sem banho, a cerveja e casquinha de siri, que na casquinha é que se está bem. se ele quiser que vos conte.


(praia do matadeiro)


descer até ao pântano do sul, para um mergulho na suas águas calmas e limpas e para ser recebido no bar do arante com uma cachacinha e música tradicional açoriana. heineken aqui e piada ali, seguir para o mandala, mandar vir a casquinha e pedir uma das suas especialidades, verdadeiramente digna desse nome: a caçarola de frutos do mar.


(pântano do sul)

à noite, paleta de cordeiro no forno cozinhada em vinho tinto e temperos, acompanhada de açorda d'alho e salada de rúcula, palmito e tomate seco. chez nous, pois claro. jantar acompanhado por um hexagon que não encheu as medidas no seu travo um pouco alcoólico - terá sido do voo?
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os dias misturam-se na cabeça de quem os quer narrar. houve centro da cidade bem palmilhado, visita ao mercado público, com seus belíssimos peixes e frutos do mar, ao cada vez mais caro box 32, chopp brahma, bolinho de camarão e catupiry, e a sua saborosa cachaça (única coisa a preço aceitável), cerveja no exterior do mercado, acompanhando o povaréu sedento e ruidoso, com um empregado (aqui é garçom) que usava apenas uma mão para o serviço, que na outra segurava o seu copo de cerveja (ficou logo o mamão). eficaz, em todo o caso, e com gosto por ver as pessoas beber. como se quer.


(mercado público)




para o jantar, sushi em casa já depois da meia-noite, que os meninos se perderam no "iega" entre pastéis da camarão (os melhores da cidade? até prova em contrário - uma perdição).

quarta-feira, rumar à praia mole, que encontrámos praticamente deserta, devido ao dia ventoso que amanheceu. não deu para comprovar a beleza das ilhoas que por lá pululam em dias quentes, mas ficou o encanto da praia, deserta e ao vento.




(praia mole)



as praias aqui, sendo diferentes umas das outras, têm uma característica em comum: morro à direita, morro à esquerda, ilhota em frente.

seguimos a pé para a lagoa da conceição, longa caminhada pelas rendeiras; na lagoa acumulam-se bares, cafés e restaurantes - local de romaria para noites quentes na locomotiva do álcool. almoçar, deambular, brindar aos encontros com uma boa caipirinha no café cultura, jantar no oliveira uma sequência de camarão que alimentava um batalhão, acompanhado de um santa helena que fomos autorizados a comprar no mercado ao lado - a lista de brancos era curta e cara; e os et ceteras das noites inventadas ao sabor da cumplicidade. (o querubim serve uma generosa porção de coração já a desoras). se ele quiser, que vos conte.



(lagoa da conceição)



calcorreou-se muito, que ilha é grande e seus ambientes tão distintos. já a finalizar a estada, na sexta pascoal, grande dia de praia em jurerê, os seus bares de praia, as suas mansões bem cuidadas, finalizado com uma ostrada em sto. antónio de lisboa, dos primeiros bairros da colonização açoriana na ilha, bairro bonito, tranquilo, de pequenas casas, com o centro da cidade como pano de fundo, separado pelo mar. se ele quiser, que vos conte.



(jurerê internacional)



(sto. antónio de lisboa)



houve ainda jantarada no starck, restaurante do confraria das artes (a precisar de um aquecedor de pratos e de um auxiliar de cozinha).


houve um queijo da serra delicioso (apesar do congelamento) - os parabéns à cozinheira. houve um porto ferreira vintage (de 1995) que não envergonharia um três velhotes - terá sido do voo? uma ida a são josé, ao galpão pegorini, para uma orgia de carnes e enchimento de mula, passe a expressão, que somos todos gente elegante. maminha? aceito. fraldinha? aceito. banana? aceito.


e houve, e houve.



e um belo risotto de camarão à despedida e... tanta coisa numa semana que se ele quiser, que vos conte.


p.s.: estamos a falar de florianópolis, sc.

remodelações

arrumado o apartado ali ao lado, com link para o endereço de email deste que vos escreve pelo espírito do sr. antónio taberneiro.
mais remodelações dentro de instantes. bem, conhecendo o espírito do sr. antónio taberneiro, melhor anunciar para daqui a uns dias.

Domingo, 5 de Abril de 2009

não era uma palavra-passe
mas um tiro certeiro a desfeitear as redes
arrufos arroubos
a infâmia declarada como tal
um seio espreita curioso da blusa
numa vigília acidental

oh, capcioso capricho, que mágoas carpis?
malvadezas torpes, trapaças e ardis.
ajoelhas-te. pretendes d-i-z-e-r,
soltar o verbo diante da divindade

: quero morder-te o elemento líquido
olho a mesa do bar – o cinzeiro
o cigarro ardendo ainda, o copo
menos cheio que vazio

mais uma cerveja, por favor
mais uma vida, se não se importar

ou que se importe

pode ser made in china ou bangladesh
mas traga-me depressa uma cerveja

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

proverbios y cantares - XXIX

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

pincelada

o tipo de pintura que ele faz, os quadros que pinta, são daqueles que pedem distância entre o observador e a obra; quero dizer: quanto mais longe, melhor.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

o ser humano

há núcleos de estudo para averiguar se a capitu traiu o bentinho.

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

dívidas

para nascer precisaste de um pai e de uma mãe; logo aí já começas a dever a alguém.

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

escrever o mundo com objecto

rui paiva, e suas estórias diárias.

retrato

aquele movimento ao canto da boca, cheio de mistérios, afinal não era ironia, mas um tique nervoso.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

pesadelos

sonhar com sócrates, primeiro-sinistro de portugal.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

até já, caríssimo

saúde, dizia ele.

breve momento de devoção no azeite&azia

às vezes penso... quero dizer, dei por mim a pensar: não sei qual o quinhão de vinho que me foi destinado nesta vida (e não pretendo deixar o resto que haja de minha parte por bocas alheias), mas tem sido uma quantidade pela qual me vou dando e trazendo grato.

a hora e vez de don azia, o ateu

no fundo, agradecer a deus pelo belo quinhão com que me vem presenteando há tantos anos.

amém.

biografias em fotomaton

viver de amor bastava-lhe. por isso se mantinha longe do trabalho.

os acordares de geberit

abre os olhos, deixa a posição fetal para se retesar grunhindo, caminha sonâmbulo com o dique a rebentar, liberta a matinal torrente em niagaras de ouro; baixa a cabeça na pia e atira à cara as mãos de cântaro. quando ergue a cabeça olha o seu rosto no espelho: pois é, meu gauguinzinho de merda, não há haiti que te salve.

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

a fixação proibida


mark kitaoka, dread

o gosto dos outros

tinha uns glúteos tenrinhos, mas faltou um pouco de sal.

grande quizz de quinta à noite no azeite&azia

o que será que será?
don azia, um arauto do kelvin
pitaya vermelha

o ponto da citação

no entretanto, vamos acender os nossos charutos, e deixemos os precintos aristocráticos da ré: à proa, que é país de cigarro livre.

não me lembra que lorde byron celebrasse nunca o prazer de fumar a bordo. é notável o esquecimento no poeta mais embarcadiço, mais marujo que ainda houve, e que até cantou o enjôo, a mais prosaica e nauseante das misérias da vida! pois num dia destes, sentir na face e nos cabelos a brisa refrigerante que passou por cima da água enquanto se aspiram molemente as narcóticas exalações de um bom cigarro de havana, é uma das poucas coisas sinceramente boas que há neste mundo.

fumemos!

almeida garrett, viagens na minha terra, cap. I